Comentários às questões de Língua Portuguesa - TCU/2011 - Eu Vou Passar > Videoaulas para Concursos Públicos

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Olá, meus amigos!

É com muita satisfação que apresento a vocês os comentários às questões de Língua Portuguesa referentes à prova do TCU, realizada no último final de semana. Acompanhem comigo!


Referência: cargo 1 (Auditor Federal de Controle Externo - Especialidade: Controle Externo. Orientação: Auditoria Governamental).

1. Preservando-se a coerência e a correção gramatical do texto, seu primeiro período poderia ser assim reescrito: É raro, na história das ideias, que se encontre proposições de natureza geral que se mantenham firmes diante de exceções.

Comentário: Inicialmente, a fim de facilitar a análise, vamos transcrever o excerto na ordem direta:
 
"Que se encontre proposições de natureza geral que se mantenham firmes diante das exceções é raro".

Na estrutura acima, temos o sujeito oracional, iniciado pela conjunção integrante "que": "Que se encontre proposições de natureza geral que se mantenham firmes diante das exceções". Com isso, o verbo "ser" deve permanecer na terceira pessoa do singular: "é". Para melhor visualizar, podemos substituir a estrutura do sujeito oracional pelo pronome demonstrativo "ISSO":


Entretanto, no interior da estrutura que compõe o sujeito oracional, temos um erro de concordância verbal em "se encontre proposições de natureza geral". O correto seria "Que se encontrem proposições de natureza geral", já que temos uma estrutura passiva (VTD + SE), em que o verbo "encontrar" tem como sujeito a expressão "proposições de natureza geral" e, por isso, deve concordar em número e pessoa com o núcleo "proposições" para manter a correção gramatical.

Gabarito: Errado.

2. A relação entre progresso civilizatório e felicidade está associada a um momento histórico específico, o Iluminismo, embora o texto indique que a relação entre esses elementos possa ser observada em outras épocas e movimentos históricos.

Comentário: No primeiro parágrafo do texto, o autor relaciona progresso civilizatório e felicidade ao Iluminismo, conforme se confirma com o excerto "(...) A equação fundamental do Iluminismo pressupunha a existência de uma espécie de harmonia preestabelecida entre o progresso da civilização e o aumento da felicidade". Ainda em conformidade com o enunciado feito pelo examinador, o texto, no segundo parágrafo, indica a possibilidade de a relação entre progresso civilizatório e felicidade ser observada em outras épocas: "(...) então haveria pouca margem para dúvida de que o século XVIII deslocaria o ponteiro da confiança no progresso e no aumento da felicidade humana ao longo do tempo até o ponto mais extremo de que se tem notícia nos anais da história intelectual".

Gabarito: Certo.

3. O reconhecimento, pelo autor, de que seu argumento está fundamentado em base frágil, a generalização na história das ideias, e de que essa generalização é necessária funciona como forma de evitar, no nível discursivo, eventuais críticas ao seu posicionamento.

Comentário: O autor inicia o texto com a afirmação "Na história das ideias, são raras as proposições gerais que não se desfazem em exceções.", chamando a atenção do leitor para a necessidade de generalizar e comparar, conforme se percebe no trecho "É necessário, no entanto, generalizar e comparar (...)". Através do emprego da técnica dialética, o autor tem a intenção de evitar críticas ou indagações ao posicionamento apresentado no texto.

Gabarito: Certo.


4. Mais de 50% dos homens e mulheres entrevistados considera o dinheiro como uma fonte de felicidade; grande parte desse grupo é formada por homens que respondem por 64% dos indivíduos que pensam assim.


Comentário: A questão abordou o tema concordância verbal. Com a expressão "Mais de 50%", o verbo deve concordar com o numeral percentual "50%": "Mais de 50% dos homens e mulheres entrevistados consideram (...)". Em "grande parte desse grupo é formada por homens que respondem (...)", a concordância da forma verbal "é" com o núcleo "parte" está correta.

Gabarito: Errado.

5. Nota-se um decréscimo no número de mulheres que se declararam felizes quando se compara os dados colhidos em 2010 aqueles de 2005.

Comentário: Há dois erros no item acima:

1º) Em "(...) quando se compara os dados colhidos (...)", temos uma estrutura de voz passiva sintética (VTD + SE), em que a partícula apassivadora SE foi anteposta à forma verbal "compara" em virtude da conjunção subordinativa adverbial temporal "quando". Entretanto, o verbo "comparar" deve concordar em número e pessoa com o núcleo do sujeito em "os dados colhidos": "(...) quando se comparam os dados colhidos (...)".

2º) Em "(...) quando se compara os dados em 2010 aqueles de 2005.", faltou o emprego do acento grave indicativo de crase. No contexto, o verbo "comparar" é transitivo direto e indireto, regendo, no complemento indireto, a preposição "a". Como o termo regido é iniciado pelo pronome demonstrativo "aqueles", haverá a fusão entre a vogal inicial da forma pronominal e a preposição: "(...) quando se compara os dados em 2010 àqueles de 2005".

Assim, o enunciado estaria integralmente correto da seguinte forma: "Nota-se um decréscimo no número de mulheres que se declararam felizes quando se comparam os dados colhidos em 2010 àqueles de 2005."

Gabarito: Errado.


6. A pesquisa da FIESP levantou dados estatísticos acerca dos fatores que os brasileiros julgam estar ligados à felicidade, como, por exemplo, a idade e o casamento.

Comentário: Segundo dados estatísticos da pesquisa feita pela FIESP, os fatores mais importantes para que os brasileiros se sintam felizes são: dinheiro, emprego, filhos, religião, casamento (ser casado), bens materiais, plano de saúde, curso superior e idade (ser jovem). No excerto, não há qualquer incorreção gramatical.

Gabarito: Certo.

7. O trecho "Uma pesquisa (...) com a vida", logo abaixo do título do texto, poderia ser reescrito, mantendo-se sua correção gramatical e seu sentido original, da seguinte forma: O nível de felicidade no Brasil e os fatores a que as pessoas atribuem sua satisfação com a vida foram revelados em 2010 por uma pesquisa feita pela FIESP.

Comentário: No trecho original, temos uma estrutura de voz ativa, em que:

- o sujeito é "Uma pesquisa feita pela FIESP" -> será o agente da passiva;

- "revela" é um verbo transitivo direto -> formará a locução verbal de voz passiva;

- os objetos diretos "o nível de felicidade no país" e "o que influencia a satisfação com a vida" -> serão o sujeito da passiva.

Então, reescrevendo o trecho original na voz passiva, teremos:
 
O nível de felicidade no país e o que influencia a satisfação com a vida são revelados, em 2010, por uma pesquisa feita pela FIESP.

Notem que, na reescritura acima, a locução verbal de voz passiva deve permanecer no presente do indicativo, já que a forma verbal "revela", contida no trecho original, está flexionada nesse tempo e modo: "são revelados".

Segundo a reescritura feita pelo examinador no enunciado, há outro erro: o adjunto adverbal (de tempo) "em 2010", por estar deslocado, deveria estar isolado por vírgulas.

Por estar em conformidade com os dados estatísticos da pesquisa, também seria correta a reescritura "O nível de felicidade no Brasil e os fatores a que as pessoas atribuem sua satisfação com a vida são revelados, em 2010, por uma pesquisa feita pela FIESP".

Gabarito: Errado.

8. Infere-se do texto que, para Bentham, os pobres têm mais direito à felicidade, devido à sua capacidade de tirar mais prazer de pequenas coisas.

Comentário: Segundo o autor do texto, Bentham argumenta que a associação entre cálculo e felicidade leva "uma nação inteira" à "maior felicidade possível". Para ratificar (e fortalecer) a argumentação, vale-se de uma comparação, com o uso da expressão "mais do que", entre um homem pobre e um homem rico, fazendo referência àquele como o que sabe tirar "mais prazer desse dinheiro". Sendo assim, é errado inferir que o pobre tem mais direito à felicidade. O texto, inclusive, sequer faz menção a qualquer "direito".

Gabarito: Errado.

9. A expressão "No entanto" (linha 4) introduz, no texto, ideia de oposição ao fato de o autor nunca ter associado cálculo à felicidade.

Comentário: Segundo o texto, o autor afirma nunca ter associado cálculo à felicidade: "Eu, por exemplo, nunca associei cálculo à felicidade". Em seguida, faz uma oposição, um contraste a essa não associação, iniciada pelo conectivo adversativo "no entanto": "No entanto, trata-se de matemática simples. Some os aspectos prazerosos de sua vida, depois subtraia os desagradáveis. O resultado é a sua felicidade total".

Gabarito: Certo.

10. No último período do texto, o trecho "que dar (...) desse dinheiro" funciona como objeto que complementa o sentido de "ponderou", forma verbal da oração cujo sujeito é Bentham.

Comentário: A banca examinadora apontou o gabarito como CERTO, porém há possibilidade de recurso. Farei um tópico à parte, com as devidas fundamentações.

11. O autor constrói seu texto de forma a se aproximar do leitor, o que explica, por exemplo, o emprego da primeira pessoa do singular no segundo período e o do imperativo no quarto.

Comentário: A empregar o pronome pessoal "eu" (linha 4), o autor denota a subjetividade de sua argumentação. Por sua vez, as formas verbais "Some" e "subtraia" (linhas 6 e 7), empregadas no imperativo, são características de uma linguagem apelativa, que tem como objetivo aproximar e persuadir o leitor.

Gabarito: Certo.


12. O texto caracteriza-se como predominantemente dissertativo-argumentativo, e o autor utiliza recursos discursivos diversos para construir sua argumentação, como, por exemplo, linguagem figurada e repetições.

Comentário: Devemos analisar o enunciado do examinador por três partes, quais sejam:

1ª) o texto dissertativo-argumentativo (subjetivo) tem como finalidade o desenvolvimento de um tema, sendo composto por opiniões do autor acerca do assunto. Baseia-se em argumentos que pretendem comprovar a tese do autor. Segundo o texto de Nietzsche, a tese é o grau incontestavelmente superior da ínfima felicidade, pois esta se faz sempre presente "A mais ínfima felicidade (...) está sempre presente e nos torna felizes, sendo incomparavelmente superior à maior de todas" (linhas 1-2), em comparação à maior felicidade de todas, que tem caráter episódico, esporádico: "(...) à maior (felicidade) de todas, que só se produz de maneira episódica" ;

2ª) existem alguns procedimentos argumentativos importantes para fazer o leitor concordar com aquilo que se diz num texto. Um deles, a comparação, é empregada pelo autor, através de linguagem figurada (metafórica), conforme percebemos no trecho "(...) como uma espécie de capricho, como uma inspiração insensata, em meio a uma vida que é dor, avidez e privação". Para facilitar a visualização, podemos reescrever "a vida é como uma dor, avidez e privação." ;

3ª) o texto se constrói em torno da palavra-chave "felicidade", repetida no decorrer da superfície textual, conforme podemos perceber nos trechos:

"A mais ínfima felicidade (...)"

"Tanto na menor como na maior felicidade, porém, há sempre algo que faz que a felicidade seja uma felicidade"

"durante todo o tempo que dura a felicidade"
 
"não saberá jamais o que é a felicidade"

Gabarito: Certo.

13. No segundo período do texto, o trecho introduzido pelos dois pontos apresenta uma explicação do que o autor entende por "maior felicidade" (linha 6).

Comentário: Com efeito, o trecho introduzido pelos dois pontos apresenta uma explicação. Entretanto, segundo o texto, a explicação refere-se a "algo que faz que a felicidade seja uma felicidade".

Gabarito: Errado.

14. O autor estabelece em seu texto uma oposição entre história e felicidade.

Comentário: O autor do texto faz um contraste entre história e felicidade: "Aquele que não sabe instalar-se no limiar do instante, esquecendo todo o passado, aquele que não sabe, como uma deusa da vitória, colocar-se de pé uma vez sequer, sem medo e sem vertigem, este não saberá jamais o que é a felicidade". Ainda em conformidade com o texto, "(...) é absolutamente impossível ser feliz sem esquecimento".

Gabarito: Certo.


Os mesmos comentários encontram-se no blog PORTUGUÊS E REDAÇÃO PARA CONCURSOS.

Forte abraço!

Prof. Fabiano Sales.
fabianosales@euvoupassar.com.br



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