Jornal do Buritis – Professora dá dicas de Português para concursos

Jornal do Buritis – Professora dá dicas de Português para concursos
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Iniciar os estudos para concurso público pode ser mais difícil do que parece. Mas nada que um bom planejamento não resolva.

A primeira coisa a se pensar é: quais são as matérias cobradas nesses certames?
A minha é uma das menos prestigiadas, contudo é a decisiva em provas. Leciono o português, não o que falamos, com naturalidade e "leveza", mas sim o padrão, a chamada gramática normativa. No primeiro dia de aula, já esclareço que uma coisa é o português que utilizamos diariamente para nos comunicar, o qual dominamos em sua inteireza; outra coisa é o cobrado em questões de concurso, que se baseiam na norma culta. Esse é o primeiro paradigma a ser quebrado, ou seja, a desconstrução daquilo que supomos saber (a gramática), mas que na verdade sabemos pouco.

O que cai efetivamente e como cai?
Normalmente, o conteúdo de gramática cobrado em provas não varia muito, pois a gramática normativa, propriamente dita, não tende a mudar, tendo em vista não se tratar de uma ciência em si, mas de uma convenção (Nem por isso é menos importante! Que isso fique bem claro!).

O candidato tem que conhecer a morfologia, que envolve basicamente o estudodas classes de palavras, e a sintaxe, que é a maneira como essas classes se relacionam dentro da estrutura. A estrutura que nos interessa é a oração, que sendo somente uma é denominada período simples, e que a partir de duas passa a se chamar período composto. Tem-se aí outro ponto muito cobrado em prova: a sintaxe do período composto, que envolve aquilo que se chama de subordinação e de coordenação. Cobra-se também a pontuação, que consiste basicamente no uso da vírgula, e a acentuação gráfica das palavras. Matéria essa que tem sido ponto de questionamentos em sala de aula por conta das alterações propostas pelo Novo Acordo Ortográfico. Nem toda organizadora tem cobrado, em questões de português, o Novo Acordo Ortográfico. E para saber se haverá ou não essa cobrança em prova é necessário ver o que está expresso no edital de cada prova. Algumas organizadoras têm cobrado, outras tantas não. Vale o que está no edital.

A maneira de se cobrar a gramática normativa varia de organizadora para organizadora. Há aquelas que cobram a gramática aplicada ao texto, ou seja, além de o candidato ter que dominar as regras gramaticais, ele tem que saber aplicá-las ao texto e perceber quais são as implicações caso alterações sejam feitas. Essas organizadores, tais como Cespe-UNB e ESAF, fazem provas mais bem elaboradas , as quais exigem do candidato um raciocínio mais elaborado e não apenas a memorização de "regrinhas de português". Há também aquelas organizadoras que cobram as tais regrinhas de forma muito simplificada, ou seja, elaboram questões que abordam temas específicos, tais como pronome, verbo oufunções sintáticas, sem contextualizá-las ao texto dado. Digo que essas questões são previsíveis (além de fáceis). Para mim, questão boa é a que requer do candidato raciocínio e não apenas a memorização de regras gramaticais. De que adianta decorar se não se consegue explicar o raciocínio utilizado no desenvolvimento da questão?

Enfim, um estudo planejado e bem organizado exige a solução de questões de prova. O candidato tem que resolver o maior número possível de questões para saber "mais ou menos" o que o espera. Aqueles que assim têm feito estão se saindo muito bem nas questões de português.

Digo e repito que o diferencial numa prova de concurso público é fazer uma boa prova de português! E muitos demoram a perceber isso.

Renata Maia
Professora de Português


Original Article: http://www.blogdomeritus.com.br/2014/05/jornal-do-buritis-professora-da-dicas.html

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