Ainda sobre o acordo Ortográfico


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LEIAM SE AINDA TIVEREM DÚVIDAS

 

O acordo Ortográfico está em vigor há alguns anos, no entanto assistimos com alguma frequência a comentários e tomadas de posição em profundo desacordo com o mesmo, assumidos por diversas personalidades com elevado nível cultural, o que tem lançado muitas interrogações em todos aqueles menos versados na escrita, mas que têm aceite o acordo como uma decisão responsável de quem tinha capacidade institucional para acordar o mesmo, com os outros 7 países de língua oficial portuguesa.

 

Passados diversos anos a maioria da sociedade portuguesa pratica as regras do novo acordo, com destaque para as instituições oficiais, a comunicação social e o ensino público e privado.

 

Não vou abordar os argumentos linguísticos dos que discordam ou concordam com o acordo, mas tão só aspetos de racionalidade nesta questão. Para tal socorro-me de um texto que relata, à época, os factos ocorridos no dia 5 de Outubro de 1910, que pode ser lido aqui.

 

Desse texto retirei um conjunto de palavras sobre a Revolução de 5 de outubro de 1910, que talvez ajude os que contestam o novo acordo ortográfico a perceber que a escrita de uma língua não é uma coisa estática, pois a forma de escrever a nossa língua tem tido profundas transformações em diversas épocas da nossa História.

 

Medite-se sobre o português de 1910 e o actual (antes do acordo 0rtográfico)

Redempção – redenção

Insurrecçiona – insurreciona

Republica – República

ha – há

lucta – luta

officiais – oficiais

monarchicos – monárquicos

triumpha – triunfa

enthusiasmo – entusiasmo

á – à

tambem – também

adherem – aderem

telephonica – telefónica

cavallaria – cavalaria

policia – polícia

aquella – aquela

sahia – saia

permittem – permitem

permanencia – permanência

immediações – imediações

edificio – edifício

noticias – notícias

approximar-se – aproximar-se

repellido – repelido

ninguem – ninguém

approxime – aproxime

tres – três

d`elles – deles

sahido – saído

immediações – imediações

socego – sossego

cavallo – cavalo

optimistas – otimistas

fórma – forma

transito – trânsito

triunphantes – triunfantes

telegrapho – telegrafo

tambem – também

direcção – direção

pharmacias – farmácias

pediam-n`o – pediam-no

adhesões – adesões

palacio – palácio

victoriosamente – vitoriosamente

villa – vila

Affonso – Afonso

elles – eles

occasião – ocasião

commando – comando

fóra – fora

marquez – marquês

acclamada – aclamada

apprehenderam – apreenderam

telegramma – telegrama

illuminadores – iluminadores

affirmam – afirmam

hontem – ontem

sahem – saem

auctoridade – autoridade

unico – único

veiu – veio

attitude – atitude

aquartellados – aquartelados

paralysou – paralisou

funcciona – funciona

acceso – aceso

desunil-os – desuni-los

rechaçal-os – rechaça-los

holophotes – holofotes

occupado – ocupado

panico – pânico

appareceu – apareceu

alli – ali

installado – instalado

predio – prédio

collocavam – colocavam

victoria – vitória

aprisional-o – aprisiona-lo

numero – número

soccorrido – socorrido

ecco – eco

silencio – silêncio

pallido – pálido

paginas – páginas

cortezãos – cortesãos

portuguezas – portuguesas

castellos – castelos

chronicas – crónicas

actração – atração

apezar – apesar

Será que em nome da "pureza" da escrita ainda nos vão exigir que se passe a escrever, como em 1910?

 

É bom que não se esqueça de que os milhares de crianças, que já passaram pelo ensino primário, não acharam nada de anormal com a nova grafia, pois tiveram a vida facilitada com algumas palavras que deixaram de ter letras que não se pronunciam, como o demonstra a redução do número de erros de ortografia. Se lhes mandássemos voltar a escrever como os pais aprenderam, diriam que estávamos malucos.

 

Para os que dizem que cedemos às exigências dos brasileiros, não estão a dizer a verdade pois é claramente visível que quem cedeu mais foram os brasileiros, daí vermos no Brasil muitas reservas ao novo acordo, por motivos diferentes dos que, em Portugal, contestam.

 

Se temos a pretensão de que o português seja uma língua de projeção mundial, falada por 300 milhões de pessoas, é evidente que teremos de fazer acordos com os outros 7 países que, presentemente, falam a língua portuguesa.

 

Se o acordo não se tivesse concretizado, correríamos o risco de aprofundar a presente designação do "português do Brasil" ou o "português de Portugal", este último escrito por 10 milhões de habitantes.

 

Se depois de 1910 os portugueses souberam alterar a grafia, adequando-a de forma mais racional à fonética, as novas gerações também entenderão a atual Reforma, resultante do novo acordo Ortográfico.

 

http://duartenuno.wordpress.com/2014/01/25/ainda-sobre-o-acordo-ortografico-5/

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